por José Márcio Castro Alves 30 de agosto de 2011
--- Pai, tá na reserva, no toco... , disse-me o Chico ao chegar em Ribeirão por volta das 13 hs. O dentista dele é sempre às 14 hs e ele sempre chegou na rodoviária meia hora antes, quando eu o apanhava e o levava ao Robson Marques (dentista), e depois rodoviária de novo.
Isso foi umas quatro ou cinco vezes até que eu realizei um velho sonho meu: dar uma moto pra ele, como eu fiz em 1994. Comprei uma Honda CG branca e de lá pra cá sempre andei de moto.
Hoje ele me ligou na hora do almoço e disse que vinha de moto, etc. Tudo tem a primeira vez e a dele aconteceu. Fomos até o posto, abastecemos e depois fui ao banco para abastecer a carteira dele, só um pouquinho. Depois passamos na Ana Flora que sempre me pergunta: --- E o Chiquinho? Faz tempo que eu não vejo..
Aproveitei e tirei umas fotos do grande encontro, minha grande amiga Flora com o meu Chiquinho, Chico, Francisco, o caçulinha que nasceu quatro anos após a Marisa, minha primogênita que amo tanto.
O Francisco rumou para o dentista e depois vai encarar a estrada até Batatais, com a promessa de me ligar logo que chegar.
Assim são os nossos dias. Coisas simples e triviais, sucedendo-se umas às outras ao longo dos anos. Mesmo no bochorno canicular das tardes quentes e infernais de agosto, saúdo a vida como se fosse um dia de festa, pois a Helena Kolody me contou que “Outros ideais, não mais os nossos, vão aportar à vida. Para os vindouros florescerá a beleza. Hão de surgir novas galáxias no mesmo céu das ilusões antigas. Lágrimas outras, não mais as nossas, bordarão lírios de sal na talagarça dos sonhos”...